Eu sou heterossexual, morena, alta, magra, cabelos lisos e
olhos castanhos escuros. E o que isso tem haver? Tudo e nada, pois muitos só
prestaram atenção em um único adjetivo, como se o modo como eu me descrevi,
estaria sendo preconceituosa.
Exemplo? Ela é magra! Tem preconceito com as gordas. Não, eu
não tenho. Tem muita “gordinha delicia” mais bonita do que eu. E por que falar
em beleza mesmo? Ah, porque a sociedade impõe um estereotipo de beleza onde só
as magras são belas.
E do que vale um estereotipo exterior belo, se o interior não
vale nada? E não me refiro apenas às características psicoemocionais como
também as fisiopatológicas.
Depressão? É doença! Parece que muitos não acreditam nisso,
diz que vai passar, mas assim como a gripe se não tomar os devidos cuidados ela
não passa. E de onde vem essa depressão? Do seu maldito preconceito contra
qualquer tipo e estereotipo de pessoa.
E pergunta para essa pessoa morena, alta, magra, se ela é
feliz. Ela vai dizer que tem momentos felizes, mas feliz ela não é, por que
toda noite, ao deitar na cama sozinha, vem todos os tipos de lembranças,
inclusive os apelidos “mais carinhosos”, os elogios “mais gentis”, como “você é
a menina mais feia da sala” ou “sua vara de tirar caju”.
E como ouvir um dia desses “é porque magro não sofre
bullying.” Reveja seus conceitos, a própria sociedade se condena, o perfeito é
ser feliz e não ter momentos felizes, por que ao chegar a casa e lavar o rosto,
a beleza acaba e o choro vem.
É isso mesmo produção!? Vai continuar a desvirtuar os princípios
da felicidade e bem-estar na cara dura? “O importante é ser feliz e mais nada
(8’”.
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